Tarifaço - 17/07/2026

Tarifaço dos EUA atinge sal do RN e isenta pescado e derivados de petróleo

                                                               Sindicato diz que as exportações da indústria salineira estão sob impasse desde o último tarifaço. Foto: Alex Régis                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    

O sal, um dos principais produtos da pauta exportadora do Rio Grande do Norte para os Estados Unidos, será atingido pela aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Já o pescado, outro item de destaque na balança comercial, ficou de fora da lista de produtos taxados. A medida foi confirmada nesta quarta-feira (15) pelo governo americano após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês). A medida entra em vigor na próxima quarta-feira (22).

No setor produtivo potiguar, a decisão é recebida com preocupação e incerteza diante dos possíveis impactos sobre as exportações. Roberto Serquiz, presidente da Fiern, lembra que o primeiro anúncio de tarifaço, em 2025, gerou “incertezas e preocupação em setores estratégicos da economia potiguar, especialmente a pesca e o sal”

Levantamento da CNI aponta que 20 estados exportaram menos para os EUA em 2026. O RN foi o mais impactado, reduzindo em 72% as suas exportações entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. “A sobretaxa agrava um cenário que já vinha pressionando as exportações nacionais e amplia a insegurança para empresas dos dois países”, diz a CNI.

Na segunda rodada das tarifas impostas pelos EUA, Roberto Serquiz destaca com alívio que as espécies de pescado exportadas pelo RN não serão atingidas. Por outro lado, diz que é preciso defender a importância do sal, produto estratégico para a economia.

Airton Torres, presidente do Sindicato das Indústrias de Extração do Sal do RN, diz que as exportações da indústria salineira estão sob impasse desde o último anúncio de tarifaço. “Em que pese ter havido a derrubada desse tarifaço, a incerteza continuou”.

Mais de 2.100 itens exportados pelo Brasil foram poupados da sobretaxa, incluindo carne bovina, mel e café. A USTR justifica a isenção desses itens afirmando que esses insumos são matérias-primas que poderiam provocar indisponibilidade de oferta doméstica e “perturbações” na economia americana caso fossem submetidas à nova tarifa.

Entre os principais itens submetidos à taxação estão etanol, máquinas agrícolas, vestuário, máquinas elétricas, calçados, ferramentas de jardinagem, equipamentos relacionados à mineração, papel, aço, açúcar orgânico e produtos agrícolas.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 60,3% das exportações atingidas correspondem a bens intermediários utilizados pela indústria dos EUA. O Brasil é o principal fornecedor ao mercado norte-americano em 10 dos 13 principais produtos atingidos pela medida, conforme a CNI: madeira (83,1%), minerais não metálicos (56,3%), químicos (51,8%), alimentos (38,1%), veículos automotores (30,3%), celulose e papel (24,0%), e máquinas e equipamentos (12,5%).

Como justificativa para as novas tarifas, os EUA acusam o Brasil de práticas comerciais desleais. Além da tarifa de 25%, os Estados Unidos conduzem uma investigação que pode resultar em uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, elevando a sobretaxa para até 37,5%. Fonte TN.

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Comentários

disse:

em 01/01/1970 - 12:01