
Mais da metade dos requerimentos no Estado ultrapassa prazo de 45 dias para análise; benefícios por incapacidade lideram demanda reprimida - 23/05/2026
Fila do INSS cresce mais de 9% no RN e ultrapassa 54 mil pedidos pendentes
Representantes dos trabalhadores citam redução do número de servidores como uma das causas para aumento da fila - Foto: José Aldenir
O Rio Grande do Norte encerrou março de 2026 com 54.998 pedidos de benefícios aguardando análise no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os dados constam no boletim Transparência Previdenciária e mostram aumento de 9,3% na fila em relação ao mesmo período do ano passado, quando o Estado registrava 50.300 requerimentos pendentes.
Entre os benefícios com maior volume de espera no RN, estão os pedidos por incapacidade, que somam 22.407 solicitações pendentes. Na sequência, aparecem os benefícios assistenciais e de legislação específica, com 21.457 requerimentos aguardando decisão.
O levantamento também aponta que, do total de pedidos em tramitação, 57% (31.335) ultrapassam o prazo de 45 dias — que é o tempo máximo previsto para conclusão das análises.
Além da fila geral, o INSS informa à parte que há 21 mil pedidos de Benefício de Prestação Continuada (BPC), entre idosos e pessoas com deficiência. O BPC não entra na conta dos outros benefícios.
Em todo o País, de acordo com a Transparência Previdenciária, a fila é de quase 2,8 milhões de pedidos em tramitação, sendo que 53% ultrapassam o prazo de 45 dias. O número representa um aumento de 3,1% em relação a março do ano passado, quando havia 2,7 milhões de pedidos na fila.
Além disso, o INSS informa que há 783 mil pedidos de BPC.
O crescimento da fila ocorre em meio às dificuldades enfrentadas pelo instituto para recompor o quadro de servidores e dar vazão ao aumento da demanda previdenciária e assistencial. Nos últimos anos, o Governo Federal e o próprio INSS adotaram medidas emergenciais para tentar reduzir o estoque de processos, como mutirões, bônus por produtividade e ampliação das análises digitais.
Apesar disso, representantes dos trabalhadores do setor afirmam que as ações têm efeito limitado diante da redução do número de servidores ao longo da última década. Segundo o diretor de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores Federais em Previdência, Saúde e Trabalho do Rio Grande do Norte (Sindprevs-RN), Ary Peter, o instituto perdeu mais da metade da força de trabalho desde 2015.
“De 2015 para cá, nós perdemos mais de 50% da nossa força de trabalho. Houve poucos concursos e nunca uma grande entrada de servidores. É uma conta que não fecha”, afirmou.
Segundo ele, o aumento da demanda por aposentadorias, pensões, benefícios assistenciais e auxílios por incapacidade ocorreu simultaneamente à redução do quadro funcional do instituto. “São aposentadorias, pensões, benefícios por incapacidade e demandas assistenciais que aumentam ano após ano. Ao mesmo tempo, faltam pessoas para analisar esses pedidos”, declarou.
O dirigente sindical também citou problemas estruturais e tecnológicos enfrentados nas unidades do órgão, como equipamentos antigos e instabilidade nos sistemas utilizados pelos servidores. “Os computadores são muito antigos e os sistemas oscilam muito. Isso também gera demora”, afirmou.
Para o sindicato, as medidas adotadas pelo governo ajudam momentaneamente a reduzir parte do estoque de processos, mas não solucionam o problema estrutural da falta de pessoal. “São medidas paliativas. Resolvem uma parte da fila naquele momento, mas não atacam a raiz da questão”, avaliou Ary Peter.
Governo espera zerar fila
Em entrevista nesta semana ao programa Bom Dia Ministro, da EBC, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou que o governo aposta em mutirões para reduzir a fila. “Nós fizemos 14 mil atendimentos de mutirões em 2024. Em 2025, foram 178 mil atendimentos em mutirão. Em 2026, até abril, já foram 151 mil. Ou seja, nós vamos passar de 350 mil atendimentos em mutirão em 2026”, afirmou Wolney. Fonte Agora RN.
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Comentários
disse:
em 01/01/1970 - 12:01
