
Bandeira Vermelha - 03/06/2025
Bandeira vermelha na energia reduz poder de compra dos consumidores
Desde dezembro passado não se tinha a aplicação da bandeira vermelha patamar 1 no Brasil | Foto: Adriano Abreu
Anunciado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na semana passada, o retorno da bandeira vermelha na cobrança de energia em todo o Brasil pegou os consumidores de surpresa. Na prática, as contas de energia elétrica terão cobrança adicional de R$ 4,46 a cada 100 kW/h (quilowatt-hora) consumidos. Embora a perspectiva seja de uma cobrança temporária, usuários já adotam estratégias diferentes para economizar. Para entidades representativas do comércio e indústria, o anúncio de bandeira vermelha gera aumento de custos para a cadeia produtiva. O anúncio da bandeira vermelha patamar 1 é válido para o mês de junho. Desde dezembro de 2024 que não se tinha a aplicação desta bandeira no Brasil. Em maio, a bandeira amarela foi aplicada, o que seria um indicativo de ampliação das bandeiras nos meses seguintes. Segundo a Aneel, o aumento foi necessário em função do cenário de afluências abaixo da média em todo o país indicado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), projetando-se uma redução da geração hidrelétrica em relação ao mês anterior, com um aumento nos custos de geração devido à necessidade de acionamento de fontes de energia mais onerosas, como as usinas termelétricas.
A matriz energética do Brasil é basicamente montada em cima das hidreelétricas, que têm custo mais barato. Quando acontece redução das chuvas, diminui-se a geração de energia através das hidrelétricas, gerando necessidade de se complementar com as termelétricas, que têm custo bem mais caro”, explica o economista e ex-presidente do Conselho Regional de Economia do RN (Corecon), Helder Cavalcanti. “Nisso, o Governo, diante da quadra de chuvas que não foi dentro das expectativas, precisa suprir com a entrada das termelétricas. Logo, a situação tem esse incremento nas tarifas”, acrescenta.
O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomercio-RN), Marcelo Queiroz, aponta que o aumento da bandeira tarifária já era esperado. “Embora seja fruto de uma sazonalidade, a Fecomércio RN alerta que os reajustes trazem um impacto de dois lados: há um incremento no custo das empresas, mas também das famílias que direcionam sua renda para despesas essenciais (como a conta de energia), perdendo seu poder de consumo”, explica Marcelo Queiroz.
“A energia elétrica é um dos principais custos de produção no país, tanto para o setor de comércio e serviços quanto para a atividade industrial. O aumento do seu custo gera um impacto inflacionário que atinge toda a economia, do setor produtivo ao consumidor final. No entanto, trata-se de um cenário temporário. Com o retorno do período chuvoso, previsto para o quarto trimestre, a expectativa é que a bandeira tarifária volte ao nível verde, sem esse adicional no valor cobrado”, acrescenta Queiroz.
Além do impacto para os usuários finais, o aumento da tarifa afeta diretamente empreendedores e comerciantes que necessitam da energia para fornecimento de serviços e estocagem de produtos. Restaurantes, academias, padarias, bares, supermercados, salões de beleza, entre outros, acabam tendo aumentos nos custos mensais em virtude dos reajustes das tarifas. “O consumo de energia aqui é muito alto, porque temos muitos freezers, computadores, ventiladores, energia ligada direto. Os freezers, não podemos desligar, senão a comida estraga. Esse aumento é preocupante, principalmente para os comerciantes, porque pesa no bolso”, explica Edinalva Gomes, gerente de um mercadinho na zona Leste de Natal.
Sócia de um salão de beleza há 20 anos em Natal, a manicure Raimunda Carneiro aponta que ficou sabendo do aumento da tarifa da energia pelos jornais. Ela afirma que a regra no salão é economizar sempre que possível. Prova disso é o ar-condicionado, que já não é mais ligado em função do alto consumo. Outros equipamentos, segundo ela, ficam desconectados da tomada. “A energia representa 50% do que eu ganho. É secador, ventilador, aparelhos para os cabelos, as unhas. Tento economizar. Não ligamos o ar, que está até quebrado, porque não temos condições, porque a energia é cara. Se ligarmos, a conta vai vir uns R$ 600”, explica.
Segundo Gabriel Lopes, engenheiro de Eficiência Energética da Neoenergia Cosern, é possível economizar com atitudes simples no dia a dia. “No caso do ar-condicionado, é importante, quando for utilizar, colocar a temperatura entre 22 e 24º. É a temperatura de conforto térmico. É importante limpar os filtros com a periodicidade recomendada pelos fabricantes. Um filtro sujo faz o ar trabalhar de maneira forçada, consumindo mais energia. Sobre o chuveiro elétrico, se o equipamento possui a chave verão/inverno, é importante usar na posição verão, que pode chegar a economia de 30%. Outra dica também é com relação a iluminação: utilizar ao máximo a iluminação natural dos ambientes, abrindo janelas e cortinas. Quando for comprar lâmpadas, os modelos LED economizam até 40% mais quando comparados aos mais antigos”, exemplifica.
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Comentários
disse:
em 01/01/1970 - 12:01
